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Leitura: Governo Trump prepara classificar PCC e CV como terroristas
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Rede BlackMídia > Blog > Internacional > EUA > Governo Trump prepara classificar PCC e CV como terroristas
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Governo Trump prepara classificar PCC e CV como terroristas

admin
Última atualização: 09/03/2026 16:22
admin
Publicado: 09/03/2026
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O governo de Donald Trump finalizou nos últimos dias a documentação necessária para classificar o Primeiro Comando da Capital (PCC) e o Comando Vermelho (CV) como Organizações Terroristas Estrangeiras (FTOs). A informação foi revelada pela colunista Mariana Sanches, do UOL, e confirmada por diferentes fontes dentro da administração americana.

Contents
    • O telefonema de Vieira com Rubio
  • A ARTICULAÇÃO DA DIREITA PARA ENTREGAR O BRASIL
    • O dossiê de Flávio Bolsonaro
    • O apoio de Eduardo Bolsonaro na Casa Branca
    •  “apito de cachorro” nas redes
    • Os governadores de direita na linha de frente
  • O QUE ESTÁ EM JOGO: SANÇÕES, BOMBARDEIOS E SOBERANIA
    • As consequências práticas da designação
    • O risco de intervenção militar
    • O objetivo eleitoral da direita
  • – O QUE A LENTE BNB REVELA
  • Fontes consultadas:

O processo técnico já foi concluído no Departamento de Estado e passou pela avaliação de outras agências do governo norte-americano, que também aprovaram o conteúdo. A medida segue o mesmo padrão adotado pela gestão Trump em relação a outros grupos da América Latina, como o Cartel de Jalisco, do México, e o Tren de Aragua, da Venezuela.

Depois de sair da mesa do secretário de Estado Marco Rubio, o material ainda deverá ser encaminhado ao Congresso dos Estados Unidos e, posteriormente, publicado no Registro Oficial Federal. Esse procedimento pode levar cerca de duas semanas até a formalização.

O telefonema de Vieira com Rubio

Assim que os rumores da decisão chegaram a Brasília, no último sábado (7), o Itamaraty entrou em alerta. O chanceler Mauro Vieira passou a buscar contato com o secretário de Estado americano para tentar barrar a medida.

Na noite de domingo (8), por volta das 21h (horário de Brasília), o telefonema finalmente aconteceu. Oficialmente, a conversa tratou da preparação da visita de Lula a Washington, adiada após o início da guerra com o Irã. Nos bastidores, porém, diplomatas brasileiros admitem que barrar a classificação das facções como terroristas foi o tema central da ligação.

Integrantes do governo brasileiro não escondem o desconforto. Fontes diplomáticas apontam que o vazamento da informação e o avanço da agenda nos escalões mais baixos da máquina burocrática americana atendem a clamores do lobby bolsonarista nos EUA, que quer opor os dois governos justamente em ano eleitoral.

A ARTICULAÇÃO DA DIREITA PARA ENTREGAR O BRASIL

O dossiê de Flávio Bolsonaro

A ofensiva trumpista não é espontânea. Ela é resultado de uma articulação coordenada pela direita brasileira que começou há quase um ano.

Em maio de 2025, uma comitiva do governo americano desembarcou em Brasília liderada por David Gamble, responsável pelo setor de sanções do Departamento de Estado. O grupo iniciou sua agenda não no Itamaraty ou no Ministério da Justiça, mas no gabinete de Flávio Bolsonaro.

À época, Flávio afirmou à imprensa que entregou a Ricardo Pita, assessor sênior do Escritório de Assuntos do Hemisfério Ocidental, um “dossiê” pedindo que PCC e CV fossem classificados como organizações terroristas. O material, segundo o senador, foi elaborado pela secretaria de Segurança Pública do Rio de Janeiro a seu pedido e entregue ao governador Cláudio Castro.

O relatório, intitulado “Análise Estratégica: Inclusão do Comando Vermelho nas listas de sanções e designações dos EUA”, argumenta que o Comando Vermelho se enquadraria nos critérios americanos para designação como terrorista por causa de sua “crescente sofisticação, transnacionalidade e brutalidade”.

O apoio de Eduardo Bolsonaro na Casa Branca

No mesmo dia, Eduardo Bolsonaro, que estava nos EUA, disse à CNN que tratou do mesmo tema em reunião na Casa Branca:

“Sugeri em reunião na Casa Branca medidas como essa, no combate ao crime organizado. Uma sugestão do Flávio [Bolsonaro] por sinal. A sugestão foi muito bem recebida por membros da Casa Branca.”

Em março de 2026, Eduardo foi além. O UOL apurou que o ex-deputado federal pediu pessoalmente ao presidente da Argentina, Javier Milei, e ao de El Salvador, Nayib Bukele, que atuassem para fazer avançar a agenda de designação de CV e PCC como grupos terroristas por Trump.

A articulação ocorreu nos bastidores do encontro “Escudo das Américas”, realizado em Miami no último domingo (8), que reuniu líderes de direita da América Latina sob a liderança de Trump. O evento tratou justamente de operações de combate ao crime organizado – e Lula não foi convidado.

 “apito de cachorro” nas redes

Em outubro de 2025, depois de dois ataques a barcos no Pacífico ordenados por Trump, Flávio Bolsonaro fez uma postagem com um vídeo compartilhado pelo Secretário de Defesa dos EUA, Pete Hegseth. O vídeo mostrava bombardeiros americanos afundando embarcações no Caribe.

Flávio escreveu: “Ouvi dizer que há barcos como este aqui no Rio de Janeiro, na Baía de Guanabara, inundando o Brasil com drogas. Você não gostaria de passar alguns meses aqui nos ajudando a combater essas organizações terroristas?”.

Diante da repercussão, Flávio depois recuou e disse que o “convite” se tratava de uma “invenção” da imprensa. Mas a fala foi um “apito de cachorro” — uma estratégia de manipulação em que algo é dito e depois desdito, de maneira que a mensagem se espalhe para aqueles que a devem receber.

Os governadores de direita na linha de frente

Dias depois da reunião de Flávio com a comitiva americana, o secretário de Estado de Segurança Pública do Rio de Janeiro, Victor Santos, afirmou que o dossiê seria “oficialmente” entregue a autoridades norte-americanas pelo governador Cláudio Castro. Santos classificou as facções como “narcoterroristas” e listou a utilização de civis “como escudos humanos” como supostos atos terroristas.

Cláudio Castro viajou a Nova York em maio de 2025, onde se reuniu com autoridades da DEA e da UNODA para “firmar parcerias no enfrentamento ao tráfico de drogas e armas”.

Tarcísio de Freitas também entrou na jogada. Seu secretário de segurança pública, Guilherme Derrite, tirou licença do cargo para relatar o projeto de lei 1283/2025 na Câmara, que enquadra organizações de narcotráfico como terroristas.

O QUE ESTÁ EM JOGO: SANÇÕES, BOMBARDEIOS E SOBERANIA

As consequências práticas da designação

A classificação de um grupo como Organização Terrorista Estrangeira (FTO) pelo Departamento de Estado tem consequências jurídicas e políticas de enorme alcance:

  • Congelamento de ativos: qualquer bem de integrantes das facções sob jurisdição americana pode ser bloqueado
  • Exclusão do sistema financeiro: os grupos ficam impedidos de acessar o sistema bancário dos EUA
  • Proibição de “apoio material”: cidadãos e empresas americanas não podem fornecer armas, recursos financeiros ou qualquer tipo de suporte
  • Sanções do Tesouro: o Escritório de Controle de Ativos Estrangeiros (OFAC) pode penalizar empresas que operam em regiões controladas por facções, aumentando os riscos legais para negócios no Brasil
  • Restrições de imigração: associados aos grupos podem ter vistos negados ou ser deportados

O risco de intervenção militar

O ponto mais sensível, porém, é outro. O jornalista e correspondente internacional Jamil Chade, do TMC, explicou de forma direta o que está em jogo:

“Ao declarar uma entidade terrorista, você está dizendo que elas são alvos legítimos de ataques militares. Na prática, se o governo norte-americano achar que uma operação, uma base ou armazém do PCC ou CV em algum lugar é um alvo legítimo, vai ser bombardeado. E aí nós temos, claro, uma situação muito complicada.”

O precedente é recente e aterrorizante. No sábado (7), Trump reuniu líderes de extrema-direita e falou em tratar esses grupos criminosos da mesma forma que fizeram com o Estado Islâmico. O que eles fizeram com o Estado Islâmico? Bombardearam suas bases, mesmo fora da soberania do território norte-americano.

Integrantes do governo brasileiro temem que a classificação possa dar verniz legal a intervenções militares na América Latina, e lembram da operação de captura de Nicolás Maduro na Venezuela. Os EUA empregaram uma força aérea e naval militar numa suposta operação contra cartéis de drogas venezuelanos.

A mesma lógica que justificou a captura de um chefe de Estado estrangeiro pode ser aplicada a líderes de facções criminosas – e quem garante que, no calor da perseguição, a distinção entre criminosos e moradores de favelas será respeitada?

O objetivo eleitoral da direita

A ofensiva da direita não é ingênua. O objetivo declarado por trás da articulação é fragilizar o governo Lula em ano eleitoral e pavimentar o caminho para a volta da direita ao poder.

Diplomatas que acompanham as discussões entendem que o avanço da agenda atende a clamores do lobby bolsonarista nos EUA, que quer opor os dois governos em ano eleitoral. O governo brasileiro tem buscado criar canais de confiança com a Casa Branca, mas sabe da objeção política de integrantes do Departamento de Estado próximos aos bolsonaristas, como o novo consultor de Políticas para o Brasil, Darren Beattie.

De quebra, a estratégia tem um bônus: tentar soltar Jair Bolsonaro. Quanto mais desestabilizado o governo Lula e mais tensas as relações com os EUA, maior a pressão por uma anistia ou por um habeas corpus para o ex-presidente preso na Papuda.

– O QUE A LENTE BNB REVELA

A Lente BNB enxerga o que a grande mídia trata como “disputa política” e revela as camadas mais profundas dessa trama:

1. A direita quer entregar a soberania brasileira em troca de votos. Flávio Bolsonaro não age por patriotismo — age por cálculo eleitoral. Seu objetivo é fragilizar o governo Lula, criar um clima de instabilidade que favoreça sua candidatura e, de quebra, tentar soltar o pai. Para isso, está disposto a entregar territórios periféricos como alvos de bombardeios americanos.

2. O risco é para as periferias negras. Quando Flávio Bolsonaro “convida” os EUA a virem “ajudar” no Rio de Janeiro, quem será bombardeado não é a Zona Sul — são as favelas, os morros, as periferias onde a população negra é maioria. A mesma lógica que levou a dezenas de mortes no Caribe sem qualquer prova de que os mortos eram narcotraficantes pode se repetir na Baía de Guanabara.

3. A hipocrisia da “guerra às drogas”. Enquanto os EUA registram milhares de mortes anuais por overdose de opioides produzidos domesticamente, a solução apresentada é bombardear barcos e classificar favelas como “células terroristas”. A “Guerra ao Terror” se expande ao Sul não para resolver problemas de drogas, mas para resolver problemas geopolíticos americanos — e para alimentar a máquina de guerra eleitoral da direita brasileira.

4. O pertencimento também se mede pela proteção do Estado. Quando uma potência estrangeira ameaça bombardear territórios nacionais, o Estado brasileiro deve proteger seu povo. A população negra, que já sofre com a ausência do Estado nas periferias, não pode ser deixada à própria sorte diante de uma eventual intervenção militar estrangeira. O pertencimento exige que o Estado esteja do lado certo — e que enfrente, com todas as forças, aqueles que querem entregar o país.

Fontes consultadas:

UOL (Mariana Sanches): EUA devem anunciar CV e PCC como terroristas nos próximos dias (08/03/2026)
UOL (Mariana Sanches): Vieira fala com Rubio após risco de definirem CV e PCC como terroristas (09/03/2026)
GZH/Estadão: Vieira conversa com Rubio após EUA sinalizarem intenção (08/03/2026)
TMC (Jamil Chade): Qual será a consequência se Trump declarar PCC e CV como terroristas (09/03/2026)
Agência Pública: Relatório que quer tachar CV de terrorista foi entregue aos EUA por Flávio Bolsonaro (03/11/2025)
UOL: EUA devem classificar CV e PCC como terroristas; veja o que muda (09/03/2026)

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