O desabamento de uma mina de coltan na região de Rubaya, no leste da República Democrática do Congo, deixou mais de 200 mortos na última terça-feira (3), segundo balanço provisório divulgado pelo Ministério de Minas do país. Entre as vítimas, cerca de 70 são crianças . O desastre ocorreu em uma área controlada pelo grupo rebelde Movimento 23 de Março (M23) desde maio de 2024 .
De acordo com o governo congolês, o deslizamento foi provocado por fortes chuvas na região da mina de Kasasa, em Rubaya . Testemunhas relataram que a terra “engoliu” muitas pessoas que trabalhavam no local, incluindo mineradores artesanais e vendedores de alimentos e ferramentas . Os feridos foram evacuados para hospitais em Goma, capital da província de Kivu Norte .
O grupo M23, no entanto, apresentou uma versão divergente. Fanny Kaj, uma autoridade do grupo rebelde, afirmou que não houve deslizamento, mas sim “bombardeios” que teriam matado apenas cinco pessoas . A versão é rejeitada por mineradores locais. Ibrahim Taluseke, que trabalha no local, disse ter ajudado a recuperar mais de 200 corpos e denunciou que “os donos das minas não aceitam que o número real de mortos seja revelado” .
A mina de Rubaya é uma das maiores fontes globais de coltan, mineral do qual se extrai o tântalo, componente essencial para a produção de capacitores usados em celulares, computadores e equipamentos de aviação . Estima-se que a região responda por cerca de 15% do suprimento mundial de tântalo . Segundo relatório da ONU, desde que tomou o controle da área, o M23 passou a taxar o comércio e o transporte do coltan, gerando pelo menos US$ 800 mil por mês .
O governo congolês culpou o M23 pela tragédia, afirmando que o grupo permite a mineração ilegal sem qualquer padrão de segurança . A região havia sido classificada como “zona vermelha” em novembro, o que formalmente proíbe a mineração e o comércio de minerais . Na prática, porém, a ausência do Estado e o controle rebelde deixam milhares de mineiros artesanais expostos a condições precárias, em poços perigosos espalhados pela vasta extensão do território.
Este é o segundo grande desastre na mesma região em menos de dois meses. Em janeiro, mais de 400 pessoas morreram em desabamentos nas minas de Rubaya . Os acidentes recorrentes expõem a vulnerabilidade de populações que, na ausência de qualquer proteção estatal, arriscam a vida diariamente para extrair os minerais que alimentam a cadeia global de produção de tecnologia uma riqueza da qual pouco ou nada lhes chega.
O leste do Congo vive um dos maiores dramas humanitários do mundo. Décadas de conflitos envolvendo forças governamentais e dezenas de grupos armados já deslocaram mais de 7 milhões de pessoas . Só desde dezembro, mais de 300 mil pessoas fugiram de suas casas. Apesar dos acordos de paz mediados pelos Estados Unidos e das negociações em curso, os combates seguem em múltiplas frentes, e a população civil segue pagando o preço mais alto dentro e fora das minas.
Fontes: 光明网, Arab Times, BBC News, Xinhua, Anadolu Ajansı
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