PMs que mataram Dra. Andrea Marins no Rio são afastados das ruas

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Os três policiais militares que atiraram contra a Dra. Andrea Marins Dias, de 61 anos, foram afastados preventivamente das ruas na terça-feira (17), informou a Secretaria de Estado de Polícia Militar. A médica foi morta na noite de domingo (15) durante uma perseguição policial no bairro de Cascadura, zona norte do Rio de Janeiro.

De acordo com a corporação, os agentes usavam câmeras corporais no momento da ação. Os equipamentos, assim como as armas utilizadas, foram entregues à perícia e estão à disposição da Delegacia de Homicídios da Capital (DHC), que investiga o caso. Os policiais permanecerão afastados até a conclusão dos procedimentos internos e criminais.

A versão inicial da Polícia Militar é que os agentes teriam confundido o veículo da vítima, um Toyota Corolla Cross, com um carro ocupado por criminosos que estariam cometendo assaltos na região. Durante a perseguição, os PMs efetuaram disparos que atingiram a médica, que estava sozinha no veículo.

Ginecologista, cirurgiã geral e cirurgiã oncológica, a Dra. Andrea tinha mais de 28 anos de carreira. Era especialista em endometriose e desenvolveu um método próprio, chamado EndoPlena, para ajudar pacientes a entenderem a dor, buscarem diagnóstico precoce e tomarem decisões seguras sobre o tratamento. Integrava a equipe do Hospital do Câncer IV, unidade especializada em cuidados paliativos do Instituto Nacional de Câncer (Inca).

Em vídeo publicado nas redes sociais, ela contou sua trajetória: “Fiz duas residências, cinco anos de residência. Duas de geral e duas de oncológica no Inca”. Em suas redes, compartilhava momentos de viagem e reflexão. Em uma delas, à África do Sul, aparecia ao lado da filha diante da estátua de Nelson Mandela. Em outra, mostrava visita ao Museu do Apartheid: “Refletindo sobre a história. Uma jornada poderosa através das lutas e triunfos que moldaram nosso mundo”.

O perfil oficial da médica publicou nota de pesar: “Sua dedicação à medicina e ao cuidado com tantas mulheres deixa um legado que jamais será esquecido. Neste momento de dor, expressamos nossa solidariedade à família, amigos, pacientes e a todos que tiveram o privilégio de conviver com ela”.

Diversas instituições manifestaram repúdio à morte. O Ministério da Saúde destacou a contribuição da profissional para o cuidado humanizado de pessoas com câncer no SUS. O Conselho Regional de Medicina do Estado do Rio de Janeiro (Cremerj) pediu investigação criteriosa às autoridades.

Por meio das redes sociais, a ministra da Igualdade Racial, Anielle Franco, também repudiou a morte. “Até quando a ausência de políticas eficazes de segurança pública continuará produzindo cenas como essa? Até quando vamos perder pessoas negras para a violência?”

A Delegacia de Homicídios da Capital (DHC) segue com as investigações. A Secretaria de Estado de Polícia Militar informou que foi instaurado um procedimento para apurar as circunstâncias do caso.

Fontes consultadas:
Agência Brasil: Entidades repudiam morte de médica por PMs no Rio (17/03/2026)
G1: Cirurgiã oncológica e especialista em endometriose: quem era a médica morta (16/03/2026)
Estadão: Quem é a médica que morreu durante troca de tiros entre policiais e criminosos no Rio (16/03/2026)

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